Conectar ferramentas prontas
Existem hoje dezenas de milhares de fontes de ferramentas publicadas no padrão MCP — para Notion, Gmail, HubSpot, GitHub, bancos de dados, busca na web, praticamente qualquer serviço. Este guia mostra como usar essas fontes no seu agente sem instalar nem hospedar nada.
Se você já leu a referência de fontes de ferramentas, aqui é a parte prática: onde encontrar uma fonte pronta e como ligá-la.
Por que a maioria dos projetos "exige servidor"
Ao procurar por MCP no GitHub, quase todo projeto pede que você rode um comando
na sua máquina (npx ..., uvx ...). É assim que funciona um MCP local: um
programa que roda ao lado do aplicativo que o usa.
A plataforma não funciona assim. Ela é um serviço na nuvem que conversa com
fontes por endereço (https://…) — não roda programas na sua máquina, nem
poderia: seu agente atende de madrugada, no WhatsApp, sem ninguém com o
computador ligado.
A ponte entre os dois mundos já existe e chama-se serviço de hospedagem de MCP. Ele roda o programa e te devolve um endereço. Você não precisa de servidor, Docker nem deploy: precisa de uma conta em um desses serviços.
Qual caminho é o seu
Antes de escolher a ferramenta, decida qual dos dois problemas você tem — eles têm soluções diferentes:
| Seu caso | Caminho |
|---|---|
| "Quero que o agente use o Notion / Gmail / HubSpot / planilha da empresa" | Caminho 1 — catálogo pronto |
| "Achei um projeto específico no GitHub e quero exatamente ele" | Caminho 2 — hospedagem sob demanda |
Na prática, a maioria das necessidades é o Caminho 1. Comece por ele.
Caminho 1 — catálogo pronto
Serviços que já mantêm centenas ou milhares de integrações prontas, com o login de cada sistema resolvido por eles. Você conecta sua conta pela tela deles, escolhe as ferramentas e recebe um endereço.
Os mais usados são Composio, Pipedream e Zapier MCP. Consulte cada serviço para conhecer as condições vigentes.
O roteiro é o mesmo nos três:
- Crie a conta no serviço escolhido.
- Conecte os sistemas que o agente vai usar (ele abre a tela de login de cada um — Google, Notion, o que for).
- Escolha quais ações ficam disponíveis. Escolha poucas: veja Quantas ferramentas ligar.
- Copie o endereço e a chave que o serviço gerar.
- Cadastre na plataforma — instruções abaixo.
Caminho 2 — hospedagem sob demanda
Quando você quer um projeto específico que não está em nenhum catálogo. Aqui os serviços mais usados são Smithery e Glama: ambos mantêm um registro enorme de projetos da comunidade e hospedam por você.
O Smithery organiza tudo em espaços. Um espaço agrupa várias fontes atrás de um endereço só — é o que torna esse caminho prático, porque adicionar a segunda, a quinta e a décima ferramenta não exige mexer na plataforma de novo.
- Crie a conta e um espaço (por exemplo,
minha-empresa). - Procure o projeto que você quer no catálogo e adicione ao espaço. Se ele pedir uma chave do serviço final (a sua chave de uma API, por exemplo), informe ali.
- Repita para quantos projetos quiser — todos no mesmo espaço.
- Copie o endereço do espaço e gere uma chave de acesso.
- Cadastre na plataforma — uma vez só, logo abaixo.
A partir daí, ferramenta nova não precisa de nada na plataforma: adicione ao espaço e ela aparece sozinha na próxima vez que a lista for consultada.
Se o projeto que você quer não estiver em nenhum catálogo, ele precisa ser publicado primeiro — e aí sim é trabalho de desenvolvimento. Fale com o suporte antes de investir nisso: quase sempre existe equivalente pronto.
Cadastrar a fonte na plataforma
Com endereço e chave em mãos, é uma linha em Fontes de ferramentas, no painel de administração:
| Campo | O que preencher |
|---|---|
| Nome | Como você vai chamá-la (smithery, composio). Letras, números, - e _ — sem ponto |
| Endereço | O https://… que o serviço te deu |
| Autenticação | Token fixo (desta organização) — cole a chave no próprio formulário |
| Acesso sem usuário identificado | Deixe em Não permitir, salvo o caso descrito em Agentes públicos |
| Protocolo novo (negociação automática) | Deixe desligado, salvo se quiser perguntas no meio da conversa — veja Quando a ferramenta precisa perguntar algo |
Salvo o cadastro, a plataforma consulta a fonte e lista sozinha as ferramentas disponíveis. Se a lista vier vazia, veja Quando não funciona.
Ou peça à Aura:
Cadastra uma fonte de ferramentas chamada
smithery, endereçohttps://…, com token fixo — eu te passo a chave.
Liberar para o especialista
Cadastrar a fonte não dá acesso ao agente. Cada
especialista declara explicitamente o que pode
usar, no campo tools, com o nome no formato fonte.ferramenta:
tools:
- smithery.notion-empresa.search
- smithery.notion-empresa.fetch
Duas coisas fáceis de esquecer:
- Descreva no
promptquando usar a ferramenta. Listar não basta — o agente precisa saber em que situação aquilo serve. - Suba a versão do especialista. A configuração é guardada por versão; sem o incremento, a alteração não entra em vigor.
Se a fonte também publicar prompts prontos, isso é um passo à parte: anexar as ferramentas dela não anexa os prompts. Veja Prompts prontos de uma fonte.
Quantas ferramentas ligar
Um catálogo pode oferecer milhares de ações. Ligue poucas, de propósito.
Toda ferramenta disponível ocupa espaço no raciocínio do agente e entra no custo de cada mensagem. Pior: quanto mais opções parecidas, maior a chance de ele escolher a errada. Uma dúzia de ferramentas bem escolhidas produz um agente melhor do que duzentas.
Regra prática: comece com as ferramentas de uma tarefa concreta, valide em conversa real, e só então acrescente.
Agentes públicos
Em conversas sem usuário identificado — widget do site, WhatsApp aberto — a plataforma limita o que o agente alcança. Quem decide isso é o campo Acesso sem usuário identificado, no cadastro da fonte:
| Opção | O que o visitante alcança |
|---|---|
| Não permitir | Nenhuma ferramenta da fonte. É o padrão. |
| Permitir apenas leitura (segundo o que a fonte declara) | Só as ferramentas que a fonte declara como somente-leitura. |
| Permitir tudo | Qualquer ferramenta da fonte, inclusive as que alteram, apagam ou enviam. |
O campo restringe, não libera: a ferramenta ainda precisa estar listada no
tools do especialista que atende o canal.
O que "apenas leitura" garante — e o que não garante
A classificação de somente-leitura é declarada pela fonte, não verificada pela plataforma. A plataforma lê o que o servidor MCP diz sobre cada ferramenta e respeita essa resposta.
Numa fonte que você controla, ou de um fornecedor que você conhece, isso resolve. Numa fonte de terceiro, não é garantia: um servidor pode declarar como leitura uma ferramenta que na verdade escreve, apaga ou envia — e a plataforma não tem como perceber a diferença.
Por isso:
- Permitir apenas leitura é redução de risco, não uma trava. Em fonte de terceiro que você não auditou, trate-a como tal.
- Permitir tudo só faz sentido em fonte que você controla, sabendo que qualquer visitante alcança qualquer ação dela.
- Na dúvida, deixe em Não permitir e atenda o canal público com um especialista de escopo menor.
Ferramenta que não declara nada fica de fora. No modo apenas leitura só passa o que foi explicitamente declarado como somente-leitura. Muitos servidores MCP não declaram isso em ferramenta nenhuma — então é comum uma ferramenta de consulta simplesmente não aparecer no canal público.
Para ver o que cada fonte declara, abra a lista de ferramentas dela: cada uma vem marcada como leitura, escrita ou destrutiva — sempre segundo a declaração da própria fonte.
Antes de conectar: o dado sai da plataforma
Ao ligar uma fonte hospedada por terceiro, o conteúdo enviado em cada chamada de ferramenta — que pode incluir dado do seu cliente — transita e é processado por esse serviço, sob o contrato entre você e ele.
Isso não é diferente de contratar qualquer fornecedor de nuvem, mas precisa ser uma decisão consciente:
- Verifique a política de tratamento de dados do serviço antes de conectar.
- Se você trata dado sensível (saúde, financeiro, jurídico), confirme se o serviço atende às suas obrigações de LGPD.
- Evite ligar, em canal público, ferramenta que leia base com dado pessoal.
Quando não funciona
A lista de ferramentas veio vazia. Quase sempre é a chave: confira se foi colada inteira, sem espaço no fim, e se ainda é válida no serviço. Teste o mesmo endereço na ferramenta de inspeção do próprio serviço — se lá também não listar, o problema está no cadastro dele, não na plataforma.
A ferramenta aparece na lista, mas o agente não usa. Confira se está no
tools do especialista, no formato fonte.ferramenta; se a versão do
especialista foi incrementada; e se o prompt explica quando acioná-la.
Funcionava e parou. Chave expirada ou revogada no serviço, ou a conta atingiu um limite de uso. Ambos aparecem como ferramenta que falha enquanto a conversa segue normalmente.
Só falha no widget ou no WhatsApp público. É o campo Acesso sem usuário identificado da fonte. Em Não permitir, nenhuma ferramenta dela entra ali. Em Permitir apenas leitura, entram só as que a fonte declara como somente-leitura — e ferramenta sem declaração nenhuma fica de fora, mesmo que só consulte. Veja Agentes públicos.
A ferramenta deveria ter perguntado algo e não perguntou. Confira se a opção Protocolo novo (negociação automática) está ligada no cadastro da fonte, e se a conversa tem um usuário identificado — no widget público e no WhatsApp aberto, a ferramenta segue sem perguntar. Veja Quando a ferramenta precisa perguntar algo.
Resumindo
- Você não precisa hospedar nada: os serviços de hospedagem de MCP fazem isso.
- Catálogo pronto (Composio, Pipedream, Zapier) para conectar sistemas que você já usa; hospedagem sob demanda (Smithery, Glama) para um projeto específico.
- Na plataforma é uma linha em Fontes de ferramentas — e, se você agrupar tudo em um espaço só, ferramenta nova não exige mexer nela de novo.
- Libere no especialista com
toolse suba a versão. - Ligue poucas ferramentas, e saiba que o dado sai da plataforma.